Marina Silva: precisamos abandonar os combustíveis fósseis, mas países ricos devem liderar esforço

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Marina Silva: precisamos abandonar os combustíveis fósseis, mas países ricos devem liderar esforço

A ministra brasileira reforçou o coro dos países em desenvolvimento e cobrou mais proatividade e liderança dos países industrializados para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis. 

Um dos temas mais quentes da COP28 é o fim da produção e do consumo de combustíveis fósseis nas próximas décadas, ação necessária para limitar o aquecimento global a 1,5ºC como definido no Acordo de Paris. Muitos países exportadores e economias emergentes rejeitam a proposta, defendida pela União Europeia e pelas pequenas nações insulares. 

Em busca de um meio-termo, a ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) defendeu na Conferência de Dubai a criação de uma instância mundial para debater e direcionar a eliminação dos combustíveis fósseis. Para ela, a medida é crucial para a luta contra a mudança climática, mas deve ser tomada seguindo os princípios das responsabilidades comuns, porém diferenciadas e das responsabilidades históricas.

“É imperativo eliminar o mais rápido possível a dependência de nossas economias dos combustíveis fósseis. O esforço é de todos, mas os países desenvolvidos devem liderar esse processo de implementação”, comentou Marina durante a reunião ministerial de alto nível da COP28, no último sábado (9/12). CNN Brasil, Estadão, Folha e TV Cultura destacaram a fala.

O argumento de Marina não atenua a ambiguidade brasileira nessa discussão. O anúncio da adesão do país à OPEP+ e o leilão de 603 blocos de exploração programado para o dia 13, logo após a COP, chamuscaram o projeto de liderança climática que o Brasil queria iniciar neste ano, com vistas à COP30 em Belém do Pará em 2025.

A turma do Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, e do Jean-Paul Prates, presidente da Petrobras, não ajuda muito a recuperar o que foi perdido. Aliás, os argumentos dos defensores da produção petroleira deixam a coisa ainda mais confusa para o lado do Brasil.

Como Giovana Girardi observou na Agência Pública, o Prates que compartilha posts do secretário-geral da ONU, António Guterres, pedindo por mais investimentos das petroleiras em fontes renováveis, é o mesmo que manteve um grande plano de expansão de investimentos na produção de combustíveis fósseis pela Petrobras. “É o samba da transição energética doida”. Pois é…

Em tempo: A COP28 será julgada pelo que apresentar em seu documento final sobre os combustíveis fósseis. Essa é a avaliação da secretária de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ana Toni, em entrevista ao Valor. “O que está vindo de fora [dos ambientes de negociação da conferência] está influenciando realmente o que está acontecendo dentro das salas. Há uma expectativa de muitas delegações em torno do assunto, que também nunca esteve tão forte nos textos”, destaca a economista e cientista política. Ana também fala dos impasses sobre adaptação climática, tema muito caro para o Brasil. “O Brasil colocou muitas fichas nesse texto [sobre adaptação]. O difícil foi chegar a quatro dias do final da COP, que deveria ter um quadro global sobre adaptação, sem nem ter um texto. Enquanto estamos negociando existem pessoas perdendo casas, vidas e negócios. O assunto deveria ter tanta importância como tem o de mitigação”, sentencia.

ClimaInfo, 11 de dezembro de 2023.

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