Braskem é multada em R$ 72 milhões e excluída do Índice de Sustentabilidade da B3

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Braskem é multada em R$ 72 milhões e excluída do Índice de Sustentabilidade da B3

Moradores fecharam uma das principais avenidas de Maceió em protesto contra a petroquímica e cobram pagamento de indenizações pela empresa e investigação do crime ambiental.

Enquanto a Defesa Civil monitora a situação da mina 18, da Braskem, moradores são desalojados, pescadores e marisqueiros são proibidos de trabalhar na lagoa de Mundaú e políticos batem cabeça sobre as soluções para o afundamento de vários bairros de Maceió. Entre notas protocolares, a empresa vai sofrendo sanções aqui e ali, mas nada que a faça pagar por aquele que vem sendo considerado o maior desastre urbano em curso no Brasil atualmente.

Na manhã de 3ª feira (6/12), o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA-AL) anunciou que multou a Braskem em mais de R$ 72 milhões por causa do risco de colapso e desabamento da mina 18 – uma das 35 que a petroquímica mantinha para explorar sal-gema na capital alagoana. O solo no local afunda a uma velocidade de 0,22 cm/h e já cedeu 1,87 m desde o dia 30 de novembro, relata o g1. A punição também ocorreu porque, segundo o IMA, os sinais de colapso surgiram há um mês, mas não foram comunicados pela companhia – que, claro, nega a omissão.

Também ontem, a B3, bolsa de valores brasileira, anunciou a exclusão da Braskem de seu índice de sustentabilidade em função do desastre ambiental. A partir de 6ª feira (8/12), as ações da petroquímica sairão do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que reúne companhias com “boas práticas ESG”, informa a Folha. Como os problemas com as minas da Braskem estão ocorrendo desde 2019, a pergunta à B3 é: jura que antes a empresa era tida como “sustentável”?

Desalojados e sem respostas, moradores dos bairros afetados vinham protestando por meio de pichações nos imóveis que tiveram de deixar por causa da iminência de ruptura da mina. E ontem os atingidos fecharam a Avenida Fernandes Lima, um dos principais eixos da cidade de Maceió. Com faixas e cartazes, eles cobram pagamento de indenizações pela Braskem e investigação do crime ambiental, segundo O Globo. A mobilização foi impulsionada pelo Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) e pela Associação de Empreendedores Vítimas da Mineração em Maceió.

A situação em Maceió aumentou a tensão entre diferentes grupos políticos de Alagoas, destaca o Congresso em Foco. A prefeitura de Maceió é comandada por João Henrique Caldas (PL), aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Já o governador do estado, Paulo Dantas (MDB), é ligado ao senador Renan Calheiros (MDB) e ao ministro dos Transportes, Renan Filho. Em resumo, trata-se do sujo falando do esfarrapado. E no meio deles, a população de Maceió continua sofrendo.

Folha, E-investidor, Poder 360, Terra, Valor, Carta Capital, CNN, Época Negócios, CNN e UOL também destacaram o desastre em Maceió, as punições à Braskem e a disputa política em torno da tragédia.

Em tempo 1: Sabe quem estava de olho na Braskem? Ela mesma: a ADNOC, cujo CEO é Sultan Al-Jaber, o mesmo que preside a COP28. No início de novembro, a petroleira estatal dos Emirados Árabes fez uma oferta de US$ 2,1 bilhões (R$ 10,3 bilhões) para adquirir grande parte da participação da Novonor na petroquímica, lembra a BBC. Mas o valor não empolgou. A Braskem estava nos planos de Al-Jaber em suas conversas com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na conferência do clima. Como denunciou a BBC e o Centre for Climate Reporting, Al-Jaber queria aproveitar a COP para falar de… negócios com petróleo e gás fóssil.

Em tempo 2: O ministro dos Transportes, Renan Filho, vem criticando o acordo fechado entre a prefeitura de Maceió e a Braskem em relação às minas abandonadas da empresa na cidade – e que o município agora quer rever, relata a CNN. Mas, segundo a Veja, Renan Filho, que governou Alagoas, é um dos beneficiários das indenizações pagas pela petroquímica. Uma empresa do político e de sua esposa recebeu R$ 544 mil por ter um pequeno imóvel no bairro Pinheiro, uma das regiões evacuadas por causa do afundamento.

Em tempo 3: A Braskem cancelou o rating de crédito corporativo em escala global emitido pela agência de classificação de risco Moody’s. A justificativa é que se trata de uma iniciativa com foco na redução de custos. No entanto, em relatório com data da última 6ª feira (1/12), a agência de risco Fitch afirmou que o iminente colapso de uma mina 18 pode impactar significativamente os fluxos de caixa da Braskem e pressionar seus ratings, relata o InfoMoney.

ClimaInfo, 7 de dezembro de 2023.

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