Termelétricas previstas em lei podem “sujar” hidrogênio e ameaçar exportação

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Termelétricas previstas em lei podem “sujar” hidrogênio e ameaçar exportação

Se confirmada, a implantação dessas térmicas, previstas em duas leis, altera a renovabilidade da matriz brasileira, que ficaria abaixo de 90% a partir de 2030.

A obrigatoriedade de contratar 8 GW em termelétricas prevista na Lei 14.182/2021, da privatização da Eletrobras, pode afetar os planos do Brasil de se tornar um grande produtor e exportador de hidrogênio verde. O mesmo vale para a extensão até 2040 da concessão de subsídios à usina a carvão mineral do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina, como determina a Lei 14.299/2022. A operação dessas plantas afetaria a renovabilidade da matriz brasileira, impactando os critérios de sustentabilidade definidos pela União Europeia (UE) para o energético.

Segundo um estudo feito pela PSR para o Instituto Clima e Sociedade (ICS), a UE definiu dois modelos de fornecimento de eletricidade para plantas de hidrogênio. No direto (off-grid), uma planta de geração é conectada diretamente à planta de H2, enquanto no indireto (on-grid), a energia vem da rede elétrica.

No primeiro, é necessário fornecimento constante de energia para o melhor funcionamento do eletrolisador, missão difícil para solares e eólicas. Já no outro, a geração elétrica no país precisa ser, no mínimo, 90% renovável, ou ter intensidade de carbono inferior a 18 gCO2e/MJ. O primeiro cenário foi considerado desvantajoso em relação ao segundo, destaca o Canal Energia.

Para avaliar se o Brasil poderá se enquadrar nesses critérios, a PSR projetou dois cenários: um, chamado Status Quo, com todas as UTEs entrando em operação. No outro, definido como Frustração, 2,8 GW são construídos.

Apesar da incerteza quanto ao percentual das gerações hídrica, eólica e solar a compor a matriz nesse período, o destaque do estudo é que a entrada de todas as térmicas da Lei da Eletrobras faria com que, a partir de 2030, os limites mínimos estabelecidos sejam quebrados.

“Os resultados mostram o impacto que uma única medida governamental pode ter sobre a expansão da matriz elétrica brasileira e o atendimento aos critérios europeus. No longo prazo, contudo, outras medidas poderão ter relevante impacto, impulsionando a expansão das térmicas a gás inflexíveis e prejudicando as chances do Brasil se tornar um grande exportador de hidrogênio e derivados”, diz o estudo.

O “jabuti” das térmicas da Eletrobrás e a carvão se torna ainda mais preocupante quando se sabe que, nos últimos 17 anos, em mais da metade deles, as emissões do setor elétrico superaram o limite estabelecido pela União Europeia para o hidrogênio. Nesse período de tempo, as usinas eólicas e solares ganharam mais peso na matriz elétrica nacional. Mas foram acompanhadas por uma expansão, ainda que em número bem menor, de térmicas a combustíveis fósseis. Que acabam sendo acionadas como tábua de salvação em momentos de crise hídrica.

Movimento Econômico, Bahia Jornal, Tribuna Hoje, Correio dos Municípios e Justiça em Foco também destacaram o estudo da PSR sobre hidrogênio.

ClimaInfo, 6 de dezembro de 2023.

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