Desmatamento da Mata Atlântica cai quase 60% de janeiro a agosto

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Desmatamento da Mata Atlântica cai quase 60% de janeiro a agosto

A área desmatada na Mata Atlântica, entre janeiro e agosto foi de 9.216 hectares comparado aos 22.240 hectares registrados em igual período do ano passado.

O novo boletim do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica com os dados consolidados dos oito primeiros meses deste ano confirmam a tendência de redução significativa na devastação do bioma observada desde o início do ano. De janeiro a agosto foram desmatados 9.216 hectares, queda de 59% sobre igual período de 2022, quando o desmate totalizou 22.240 ha.

O dado leva em conta os limites do bioma Mata Atlântica estabelecidos pelo IBGE em 2019. Se considerada a área de aplicação da Lei da Mata Atlântica, que inclui encraves na Caatinga e no Cerrado – e há somente dados parciais do sistema de alertas –, a diminuição foi menor, de 26%. Vale explicar que o IBGE considera apenas os limites geográficos contínuos, enquanto a lei visa preservar toda a vegetação característica do bioma e dos ecossistemas associados.

O SAD Mata Atlântica aponta queda no desmatamento em todos os 15 estados que compõem o bioma [delimitação do IBGE], informam g1, Agência Brasil e CBN, mas destaca Paraná e Santa Catarina. Historicamente os dois estados registram alto índice de derrubadas, mas lideraram a queda percentual, com 64% (de 2.763 para 992 ha) e 66% (de 1.816 para 600 ha), respectivamente.

Uma das razões para a expressiva queda na devastação é a “dor no bolso”, destaca O Globo e explica o diretor executivo da SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto: “A Mata Atlântica segue na UTI, a meta é desmatamento zero. Porém, com medidas como bloqueio do crédito a desmatadores, cancelamento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a intensificação dos alertas, da fiscalização e das multas, conseguimos uma redução significativa, após dois anos consecutivos de aumento”.

Os dados são consolidados na plataforma MapBiomas Alerta a partir de uma parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica, a Arcplan e o MapBiomas. O SAD Mata Atlântica é fruto de uma parceria entre Fundação SOS Mata Atlântica, Arcplan e MapBiomas, com apoio de Bradesco e Fundação Hempel.

Em tempo: Apesar da pressão de mineradoras, a ONG Iracambi atua para conservar e restaurar a Mata Atlântica em Minas Gerais. Com a ajuda das comunidades da região da Serra do Brigadeiro, na Zona da Mata mineira, a Iracambi já plantou 250 mil árvores desde 2000 e pretende atingir 1 milhão de árvores até 2030, detalha o UOL. Além da biodiversidade e do cultivo de café, a região da Serra do Brigadeiro é conhecida como a “veia da bauxita brasileira”, com a segunda maior reserva do país. Como extinguir a mineração parece impossível, a crescente conscientização local sobre as atividades de mineração na região e seus possíveis impactos, também impulsionada pelo ativismo da Iracambi, levou a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que detém direitos de minerar a região, a intensificar seus esforços de relações públicas e a investir em desenvolvimentos positivos, como manutenção de estradas e instalações de educação e saúde. Não resolve, mas já é alguma coisa.

ClimaInfo, 30 de novembro de 2023.

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