Começa julgamento do acusado de mandar matar empresário em estacionamento de Palmas

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Começa julgamento do acusado de mandar matar empresário em estacionamento de Palmas

A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual afirmam que o homicídio foi encomendado por R$ 25 mil por Bruno Teixeira. Ele está preso desde outubro de 2021.

O assistente de acusação, o advogado da família da vítima, Leandro Freire, tem convicção do envolvimento de Bruno no crime.

“Com a análise do vídeo, entre outras provas, não tinha como uma pessoa sair de casa e achar uma arma para tirar a vida de outra. Ou seja, o Gilberto, sabia onde tinha uma arma, foi lá, pegou a arma, voltou e por diversas vezes ficou rodando até ter uma troca de olhar com o Bruno, onde de fato ele entendeu que já era o momento. Ali foi premeditado, houve um planejamento. A pessoa do Bruno sabia que ele estaria lá e ele avisou para o Gilberto também estar no local para cessar a vida do Elvisley”.

Empresário foi assassinado em janeiro de 2020 na Av. Palmas Brasil — Foto: Reprodução

A defesa de Bruno Teixeira nega e diz que ele é inocente. O advogado Paulo Roberto apontará tese que envolvem outros negócios da vítima como aquisição de um imóvel não pago.

“O Gilberto vendeu uma fazenda para o Elvisley e a terra, o Elvisley também não pagou para o Gilberto. Como o Elvisley tinha negócios com o Bruno, passaram a conversar entre eles, Gilberto, Elvisley e Bruno para que o Bruno assumisse a conta. Era época de pandemia e o Bruno simplesmente se negou a fazer o acordo porque ele estava praticamente parado, ele trabalhava com eventos. O Elvisley passou o contato do Bruno para o Gilberto e ele passou a ligar para tentar conversar. Nesse dia fatídico, quem ligou para o Gilberto foi o Elvisley, não foi o Bruno. O Bruno foi direto encontrar o Elvisley sem saber que o Gilberto estava indo também”.

O julgamento de Bruno é realizado no fórum de Palmas, conduzido pelo juiz Cledson Nunes. A família e testemunhas de acusação devem ser os primeiros a falar. Em seguida, serão ouvidas as testemunhas de defesa.

Viúva e filhas de Elvisley choram ao lembrar de crime — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Em lágrimas, a viúva de Elvisley, pede justiça.

“As pessoas que estão lá para julgar, que elas tenham consciência que são três mulheres buscando justiça diante de uma vida que ele tirou do nosso convívio familiar. Um homem de bem, uma pessoa que vivia para a família, que desdobrava o mundo por conta de mim e dessas duas meninas”, lamentou Vanusa Camelo.

As filhas de Elvisley contaram que, mesmo após quatro anos do homicídio, elas se sentem inseguras, com dificuldades para retomar a rotina. Elas pedem que o julgamento seja justo.

“Tem dias que eu só quero o meu pai. Pai é símbolo de proteção. Eu sentia que nunca ninguém na vida poderia fazer mal a mim porque meu pai estava ali comigo, sabe? Protegia eu, a Natália, a minha mãe de qualquer mal. Ele era meu herói, meu tudo. Tiraram o meu chão. Eu quero muito honrar o nome dele, disse a estudante Ana Vitória Camelo.

“Que cada jurado que esteja lá, lembre do próprio pai. Eu não terei meu pai na minha formatura, eu não terei um abraço da pessoa que era o meu ídolo”, concluiu a estudante Natália Camelo.

O crime

O empresário Elvisley Costa de Lima, de 54 anos, foi baleado dentro da própria caminhonete, no dia 4 de janeiro de 2020. A assessoria dos Bombeiros confirmou que a vítima levou pelo menos três tiros no peito. Testemunhas relataram no local que o suspeito esperou a vítima entrar na caminhonete e depois atirou.

Câmeras de segurança de um restaurante flagraram o momento em que o empresário foi baleado. O vídeo mostra que o criminoso estacionou a motocicleta na passagem entre a avenida e a parte interna da quadra 704 Sul, ele desce e caminha até o veículo estacionado.

Sem dizer nada, o homem faz os disparos contra o vidro ainda fechado. Ele não tirou o capacete em nenhum momento. Logo depois, o criminoso volta para onde a motocicleta ficou estacionada e foge. A moto usada por ele está no contra luz e não é possível ter certeza da cor.

O vídeo também mostra que o outro homem, que seria Bruno, estava no carro. Após os disparos, ele sai do veículo.

Prisão

Bruno Teixeira é acusado de mandar matar empresário em Palmas — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Bruno Teixeira foi preso em outubro de 2021, após ficar um ano e meio foragido. Ele foi capturado no momento em que estava no consultório de um dentista em Balneário Camboriú, cidade vizinha à Itajaí. A operação de transferência começou no dia 21 de novembro, quando ele foi levado primeiro a um presídio em Florianópolis. De lá, ele seguiu para o Tocantins no dia seguinte.

No ano passado, uma investigação da Polícia Civil do Tocantins revelou que Bruno Teixeira usou um celular institucional da Casa de Prisão Provisória de Palmas para fazer ligações e enviar mensagens em tom ameaçador para conhecidos. Na época, o g1 revelou que o aparelho foi disponibilizado pela CPP para que detentos falassem com advogados durante a pandemia e não poderia ser utilizado para contatar outras pessoas.

A informação consta em um relatório de cinco páginas assinado por agentes da Delegacia de Homicídios de Palmas. O documento traz trechos de um Boletim de Ocorrência onde um sócio de Bruno alega estar sendo ameaçado de morte depois de desfazer um acordo porque os cheques do preso não tinham fundos.

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