Injustiça climática: mais pobres sofrem mais e são mais ameaçados por extremos do clima

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Injustiça climática: mais pobres sofrem mais e são mais ameaçados por extremos do clima

Levantamentos comprovam como efeitos dos eventos climáticos extremos são muito mais cruéis para pobres, pretos e periféricos, que ainda sofrem com a falta de reparação.

Deveria ser óbvio, mas sempre é preciso ressaltar que a crise climática afeta todo o planeta, mas não atinge a população global da mesma maneira. Se o seleto grupo dos 1% mais rico do mundo emite tanto CO2 quanto os dois terços mais pobres, que somam 5 bilhões de pessoas, é sobre estes últimos que os efeitos das mudanças climáticas são mais mortais e danosos.

No Brasil, levantamentos comprovam que são as populações pobres, pretas e que habitam as periferias urbanas as mais vulneráveis e as mais atingidas pelos extremos climáticos. E após a destruição, são as que mais têm dificuldades de serem reparadas pelo Estado.

Um estudo feito pela empresa WayCarbon em parceria com a organização Redes da Maré divulgado na 6ª feira (24/11), mostra como o Complexo da Maré, o maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro, pode ter sua população seriamente afetada pelas mudanças climáticas. Há riscos altos e muito altos para ondas de calor, inundações fluviais e aumento do nível do mar até 2050.

A grande quantidade de pessoas – hoje a Maré conta com 140 mil habitantes em 16 favelas –, associada à carência de acesso à renda e serviços públicos, intensifica o impacto dos fenômenos climáticos, destacam g1, CNN, Agência Brasil e Maré Online. E crianças e idosos são os mais vulneráveis.

O estudo identificou um risco muito alto para ondas de calor na maior parte do território da Maré. Os pesquisadores conseguiram mapear ilhas de calor na comunidade, com duas favelas em particular, Nova Maré e Baixa do Sapateiro, sendo apontadas como as áreas mais quentes de todo o complexo.

As ilhas de calor também são uma realidade dos bairros pobres e periféricos de São Paulo, mostra a Folha. O calor extremo que atingiu a cidade recentemente e que deve voltar em dezembro é mais intenso nas zonas norte e leste e no entorno do centro expandido, enquanto a temperatura é relativamente mais baixa em áreas a sudoeste do centro, que concentram alguns dos distritos mais ricos do município.

A verdade é que os efeitos do calor extremo são mais intensos para as populações de áreas periféricas dos centros urbanos e particularmente para os negros, que são a maioria dos moradores desses locais. É o que aponta o geógrafo Diosmar Filho, pesquisador da UFF, referência no debate sobre racismo ambiental e coordenador científico da Associação de Pesquisa Iyaleta, informam Agência Brasil, IstoÉ, IstoÉ Dinheiro e Correio da Bahia.

“Nessas áreas, há menos infraestrutura e menos assistência à saúde, ao transporte, ao saneamento e à moradia. E tudo isso tem relação com a forma como vamos enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, por exemplo, no momento das chuvas ou no aumento da temperatura com as ondas de calor.”

Além do calor extremo, essa população é também a que mais sofre – e morre – com tempestades, inundações e deslizamentos. E quem sobrevive, na maior parte das vezes, não obtém do Estado a reparação devida e os meios para retomar a sua vida cotidiana.

É o que acontece, por exemplo, com crianças vítimas de desastres ambientais, que acumulam perdas de direitos. Depois de ficar sem casa e sem os pais, jovens de locais como Petrópolis (RJ) ainda lidam com consequências do trauma na educação e na saúde, destaca a Folha.

Em tempo 1: Com a onda de calor que tomou conta da maior parte do país na semana retrasada e fez muitas cidades baterem recorde de temperatura – algo que deve se repetir nos próximos meses, devido ao El Niño e às mudanças climáticas –, a BBC mostra como a rotina de moradores dos municípios mais quentes do Brasil é afetada pelos termômetros nas alturas. Entre as ações de sobrevivência estão antecipar horário de trabalho para escapar do sol forte, concentrar rotinas pela manhã e tomar muita água, aponta a Folha.

Em tempo 2: O governo de Lula estuda a reformulação dos mecanismos de proteção e assistência social para dar conta dos eventos climáticos extremos vividos pela população brasileira mais vulnerável. Em entrevista à Folha, o Secretário de Assistência Social André Quintão disse que é preciso ir além do auxílio em situações de enchentes e deslizamentos.

ClimaInfo, 27 de novembro de 2023.

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