Indígenas Guarani-Kaiowá e jornalistas são agredidos em conflito por terra no MS

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Indígenas Guarani-Kaiowá e jornalistas são agredidos em conflito por terra no MS

Jagunços atacam ocupação e também espancam antropóloga e engenheiro; a violência ocorreu em represália à retomada indígena de um território tradicional sobreposto pela Fazenda Maringá.

A agressão a um grupo de documentaristas no Mato Grosso do Sul noticiado por O Globo, g1, Folha e Metrópoles se soma a uma série de episódios de violência de fazendeiros contra indígenas Guarani-Kaiowá em Iguatemi (MS), próximo à fronteira com o Paraguai. Na mesma semana em que o fotojornalista canadense Renaud Philippe, a antropóloga e cineasta Ana Carolina Mira Porto e o engenheiro florestal Renato Farac Galata foram vítimas de pistoleiros, um grupo de pelo menos 10 indígenas também foi agredido por jagunços.

O episódio ocorreu após cerca de 30 indígenas tentarem retomar, no fim de semana retrasado, uma área que era tradicionalmente ocupada por seu Povo e que faz parte do território Pyelito Kue/Mbaraka’y, mas foi sobreposta pela Fazenda Maringá, detalha o Brasil de Fato. Segundo a Agência Pública, a iniciativa foi rapidamente impedida por pistoleiros ligados a fazendeiros da região. Os indígenas ficaram encurralados por alguns dias, sem conseguir deixar o local ou ter acesso a água e comida, e foram agredidos.

De acordo com o relato de Odair Jaguaretê, que fazia parte do grupo, ao menos quatro pistoleiros fizeram disparos contra os indígenas, que se dispersaram. Eles ficaram com escoriações nos braços, nas pernas e no rosto. Uma das vítimas era uma mulher grávida, e também há relatos de que uma anciã teria sido estuprada. As vítimas só conseguiram deixar o local após a Força Nacional ser acionada. Três indígenas permaneciam desaparecidos, informa O Globo.

O fotojornalista Renaud Philippe, a antropóloga e cineasta Ana Carolina Mira Porto e o engenheiro florestal Renato Farac Galata relataram momentos de terror quando foram abordados pelos jagunços, segundo O Globo. Além de agressões físicas a Philippe e ameaças aos três, o carro usado por eles foi revistado pelos homens encapuzados. Equipamentos, uma câmera fotográfica, dinheiro e documentos foram roubados.

“Pyelito Kue é um exemplo cabal e um dos mais intensos do que a não demarcação causa ao povo Guarani Kaiowá”, resume Matias Hampel, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Expulsos de seu território entre 1928 e 1940 e confinados na Reserva Indígena de Sassoró, os Guarani Kaiowá lutam para recuperar o tekoha (lugar onde se é, em guarani) há gerações.

A área – sobre a qual estão também outras fazendas, como a Cachoeira e a Santa Rita – integra a Terra Indígena Iguatemipeguá I, já identificada e delimitada pela FUNAI desde 2013. Mas o processo demarcatório está parado.

“A superação da violência passa, de forma inegociável, pela urgente demarcação e homologação dos territórios Guarani e Kaiowá. Exigimos que o governo federal, através dos órgãos públicos competentes, redobre todos os esforços para avançar na regularização dos Territórios Indígenas, conforme o previsto na Constituição, sem atalhos nem arranjos. As entidades manifestam sua solidariedade aos profissionais que foram covardemente agredidos e reafirmam o compromisso com a defesa dos direitos dos Povos Indígenas”, reitera nota conjunta assinada pelo CIMI e outras nove associações.

ClimaInfo, 27 de novembro de 2023.

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