Investimento em petróleo ainda é grande demais para os 1,5ºC, diz IEA

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Investimento em petróleo ainda é grande demais para os 1,5ºC, diz IEA

Produtores de combustíveis fósseis devem escolher entre aprofundar a crise climática ou tornar-se parte da solução, abraçando a mudança para energia renovável, afirma a agência.

As empresas de combustíveis fósseis estão investindo em petróleo e gás o dobro do que deveriam, considerando que é preciso limitar o aumento da temperatura média global em 1,5ºC a fim de evitar uma catástrofe climática. O setor ainda tem um envolvimento muito tímido com a transição energética, contribuindo com apenas 1% do investimento em energia renovável em escala global. Por isso, devem escolher entre contribuir para piorar a crise climática ou se tornar parte da solução.

Essa é uma das conclusões do relatório The Oil and Gas Industry in Net Zero Transitions, lançado pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) na 5ª feira (23/11). Às vésperas da COP28, a IEA apela à indústria de petróleo e gás fóssil que se empenhe no combate à emergência climática, equilibrando investimentos em energia renovável e combustíveis fósseis, destaca o Guardian.

O relatório alerta que o setor tem sido uma “força marginal, na melhor das hipóteses” na transição energética, destaca o Business Green, apesar de estar bem-posicionado para ampliar tecnologias para o atingimento do net zero, incluindo hidrogênio, captura, armazenamento e uso de carbono (CCUS), biocombustíveis líquidos e energia eólica offshore. No entanto, apenas 2,5% do total das despesas de capital da indústria de combustíveis fósseis são destinados à energia renovável.

“A indústria de petróleo e do gás enfrenta um momento de verdade na COP28. Com o mundo sofrendo os impactos de um agravamento da crise climática, continuar com os negócios como de costume não é social nem ambientalmente responsável”, afirmou o diretor executivo da IEA, Fatih Birol.

A Reuters lembra que os governos concordaram na COP26, em Glasgow, em eliminar gradualmente os subsídios “ineficientes” aos combustíveis fósseis para combater o aquecimento global. No entanto, os subsídios aumentaram de US$ 2 trilhões para US$ 7 trilhões, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Obviamente, as petroleiras não se levantaram contra isso.

A Reuters também destaca a crítica de Birol à expectativa das petroleiras quanto ao CCUS. “A indústria precisa se comprometer a ajudar genuinamente o mundo a satisfazer as suas necessidades energéticas e os objetivos climáticos, o que significa abandonar a ilusão de que a captura de grandes quantidades de carbono são a solução.” A tecnologia, extremamente cara e ainda sem viabilidade comprovada, tem sido usada pela indústria de combustíveis fósseis como justificativa para manter o status quo, sem cortes na produção e no consumo de petróleo e gás.

Financial Times, BBC e edie também repercutiram o novo relatório da IEA.

Em tempo: Um dos principais temas a ser discutido na  COP28 é o destino dos combustíveis fósseis. É incerto, contudo, o que sairá de concreto sobre esse ponto crucial. Ninguém tem grandes expectativas, avalia Daniela Chiaretti no Valor. “Os Emirados Árabes Unidos, país-anfitrião do evento, é grande produtor de petróleo; seus vizinhos, idem. O lobby do petróleo estará em peso em Dubai enfrentando a pressão de ambientalistas e cientistas, mas dizendo que são as petroleiras que vão bancar o caminho da transição. A afirmação, por enquanto, é balela”, diz ela, destacando o dado do novo relatório da IEA de que só 1% do US$ 1,8 trilhão investido por ano em energia renovável vem de empresas de petróleo.

ClimaInfo, 24 de novembro de 2023.

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